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BICHO HOMEM

28.01.2020

A medida era provar uma hipótese já pré-confirmada.

 

A de que crianças que assim o foram, crianças, em determinado período político eram mais altas do que as outras, de mesma idade, cuja infância vigorara em um tempo anterior.

 

Era preciso viajar. Adentrar grotões. Aceitar novas paisagens. Pobrezas tão cheias de subjetividades. Revirar certezas. Criar novas. Desacreditar. Doer. Chorar.

 

Parecia trabalho fácil. Medir a prova. Provar o que se sabia. Alardear o resultado. Comida. Comida na mesa. Esperança. Também alimenta.

 

Mas como usar a fita? Como ser meticuloso? Como não tolerar a margem. E não deixar (a) margem. De erro.

 

O equipamento disponível não previra dificuldade. Nem pobrezas tão cheias de subjetividades. Era fita métrica. Ou algo talhado para dar conta da métrica. Das gentes.  Dos grotões. De novas paisagens. De pobrezas tão cheias de subjetividades.

 

A ciência. Cabem dúvidas nela? A sua racionalidade seria de que tamanho diante da improvável força que faz alguém crescer. Um tanto mais. Crescer. Antes. Comer. Ter esperança. Em realidade dura. Como forjada em ferro. Como barro em torno que gira e se faz outro. Outra. Coisa. Pessoa. O que sai da conta. O que burla a previsão.  Estaria preparada a ciência?

 

Pois ali estava. Diante dos olhos. Abaixo dos pés. O chão. Batido. Como se diz. Ou o contrário. Vai ter fenda. Vai ter rachadura. Vai ter lombada. Vai ter desvio. Vai ter desnível. É terra. Apalpada. Acarinhada. Ou batida. Que seja.

 

Feita para chegar à perfeição possível para um chão sem acabamento. Sem revestimento. Sem finesse. Sem finura. Batido. O possível para suportar pés rachados. Cansados. Pés esperançados. Pés que crescem. Pois aumenta a altura dos suportados.

 

Sobre ele. Como usar a fita? Como ser meticuloso? Como não tolerar a margem. E não deixar (a) margem. De erro. Passar?

 

A ciência. Feita às pressas. Necessitada do engenho humano. A criatividade. A solução rápida. E possível. Fazer o necessário. Com o que se tem.

 

Uma sugestão dentre as que vieram. Pareceu compor com o cenário. Com a proposta. Com a objetividade científica. Com a rapidez necessária para dar início, meio e fim ao experimento. Ele, nem era tão necessário. Mas os dados. Os números. As provas. As medidas. Elas precisavam existir. Figurar como oficiais. Cumprir o papel que os dados cumprem.

 

Que se colocassem as crianças sobre a pá de lixo. E a medida seria exata. E o tamanho das crianças – o que elas não poderiam exceder – também estaria dito. Na sutil analogia. Na ocupação de lugares pré-determinados. Tomadas como o conteúdo da pá, as crianças.

 

Por alguns segundos atuando no papel do lixo. Do resíduo sólido. No que dizia Bandeira. O bicho, meu Deus, era um homem. Ou crianças. Já embrulhadas para longe no território ao qual despertenciam. Apesar de crescerem. Ali. Um tanto mais.

 

A brincadeira. Passava da medida.

 

Anunciou a decisão.

 

Partiu com incomensurável assombro.

 

O bicho, meu Deus, era um homem.

 

 

Imagem de la450 por Pixabay 

 

 

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