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Raquete-arma contra a ignorância

29.11.2019

Talvez quisesse falar difícil.

 

Talvez quisesse ser duro.

 

Talvez buscasse solução definitiva.

 

Talvez imaginasse ser mágica.

 

Talvez estivesse enganado.

 

Talvez aquele som lhe fizesse bem aos ouvidos.

 

Talvez procurasse um dicionário, se soubesse existir.

 

O menino agitava os braços. Dando ordens. Apontava o dedo. Indicava direção. Era como se enxotasse dali para fora. Algo.

 

Corria de um lado para o outro. Com os mesmos gestos. O mesmo tom de voz.

 

A mesma palavra.

 

Talvez quisesse falar difícil.

 

Talvez quisesse ser duro.

 

Talvez buscasse solução definitiva.

 

Talvez imaginasse ser mágica.

 

Talvez estivesse enganado.

 

Talvez aquele som lhe fizesse bem aos ouvidos.

 

Talvez procurasse um dicionário, se soubesse existir.

 

Literatura.

 

Literatura.

 

Era o que a mãe ouvia. Lá de onde estava. De olho. Na cena enigmática.

 

Aproximou-se.

 

Viu zunir uma mosca.

 

Viu que o menino a seguia.

 

O menino agitava os braços. Dando ordens. Apontava o dedo. Indicava direção. Era como se enxotasse dali para fora. Algo.

 

Corria de um lado para o outro. Com os mesmos gestos. O mesmo tom de voz.

 

A mãe sorriu.

 

Descobriu tudo.

 

Ao gritar literatura. Era como se encostasse no inseto aquelas raquetes-armas de matar pernilongos e afins e mandá-los dessa para melhor. Pouco eficientes. Cem movimentos de braço para um barulho de asas eletrocutadas.

 

Por vezes, o ruído da vitória nem corresponde à realidade. Quando se perscruta o chão e arredores em busca de cadáver-troféu, nada se vê.

 

Estalo mentiroso. Encontro de raquete-arma com o vento. Decerto.

 

A mãe perguntou.

 

Mas você sabe o que é literatura? Como conhece essa palavra? Por que está falando com a mosca assim?

 

- Não sei. Mas ouvi você falar dela.

 

Deve ter achado bonita.

 

Talvez quisesse falar difícil.

 

Talvez quisesse ser duro.

 

Talvez buscasse solução definitiva.

 

Talvez imaginasse ser mágica.

 

Talvez estivesse enganado.

 

Talvez aquele som lhe fizesse bem aos ouvidos.

 

Talvez procurasse um dicionário, se soubesse existir.

 

Um dia vai usar. Literatura. Como raquete-arma contra a ignorância.

 

Pensando bem, já usa.

 

Só não sabe ainda.

 

Talvez procurasse um dicionário, se soubesse existir.

 

Aí, saberia.

 

Ouvir histórias antes de dormir. Folhear um gibi. Decifrar uma sequência de ilustrações. Sentar no sofá com um livro no colo.

 

Literatura.

 

 

 

 

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