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LUZ. CÂMERA. AÇÃO

24.09.2019

O trailer do filme ficou pronto. Foi para a Internet. Não se tratava apenas de uma questão técnica. Baixar um conteúdo. Disponibiliza-lo para que fosse visto e sabido por mais gente. Afinal, quem clica no link percebe que há uma linguagem diferente. Nova. Desconhecida. Pode até causar estranheza.

 

É como a sensação que temos, como brasileiros, ao ver um filme estrangeiro. É preciso seguir em frente. Dar uma chance. Acostumar o olhar ao novo. A diferentes formas de narrativa. Nesse caso, o filme não sai do trabalho de um renomado cineasta. Ou diretor famoso. Mas de um fazer tão minucioso quanto amador, de alguém que se torna uma grande equipe.  Alguém que, como diz o ditado, não sabendo que era impossível, foi lá e fez.

 

É como a negação tornando possível um sim. É cinema o que o psicólogo pernambucano Klevson Mozandro faz? Não importa. A resposta pode ser diferente. Para um crítico. Um cinéfilo. Um exibidor.

 

A resposta pode ser: é mais do que isso. É materializar coragem. Humor. É vencer desafios, limitações. É buscar um espaço de existência/resistência estética - no estrangeiro onde vive há cerca de uma década. De afirmação de si. De nutrição por alimentos outros. É colocar a mão na massa. É ter a capacidade de rir de si mesmo.

 

É ter a força da realização. É dar às coisas a desimportância que precisam ter, mesmo sendo grandes, para que venham à tona. Para que nasçam. Para que não sejam vencidas – antes de vir ao mundo. É a mais absoluta prova de que o feito é melhor do que o perfeito.

 

Klevson cria seus roteiros – ou não. Muitas vezes a cena que vem depois é parida à medida que se desenrola a anterior. É um pouco do que pregou o cineasta baiano Glauber Rocha. Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Por que não?

 

Com um equipamento não profissional na mão, o visionário sai em busca de tirar da cabeça sua ideia. Nem que ela fosse apenas um lampejo. Assim, ele dá protagonismo a não-atores, enquanto também se transforma em um. Não esqueçamos que ele faz inúmeros papeis – à frente ou atrás das, ou melhor, da câmera. Isso tudo em seu tempo livre. Ele trabalha em sua área de formação, na Basileia.

 

Olhando sua produção de antes, realizada no país de origem, chegamos a caras e sotaques nordestinos. Nos unimos a cenários que julgávamos findos. Encontramos um Brasil profundo que tem o efeito de nos colocar diante do espelho. Vemos a nós mesmos ou o que queríamos esconder. Vemos a possibilidade de ser quem quisermos – atrizes e atores de histórias de não- ficção porque nossas. De cada um.

 

No filme de agora, ainda em finalização, Klevson se apropria de outro país. Tão acolhedor quanto indiferente. Filmado em alemão, o enredo traz ingredientes já bem conhecidos da sétima arte. Suspense. Ambição. Traição. Exploração dos mais fracos. Assassinato. Mistério. Também mostra a situação de uma mulher ilegal no país europeu. Prostituída para pagar o tratamento de saúde da filha, deixada no Brasil. Qualquer semelhança seria mera coincidência?

 

As tomadas são uma apropriação de territórios. Ele vai para frente de prédios e locações reais. Mas o interior é o escritório emprestado pelo amigo. A casa de alguém do elenco,  composto por pessoas comuns, arregimentadas por seu convite.

 

Voluntários encantados pela proposta. Levados também a ser. A enfrentar. A brincar. A colocar a cara. A voz. A alma. Encarnam ou enxergam dramas e sofrimentos que, em alguma medida, são comuns a quem deixou seu país. Há também vozes e caras nativas. Klevson é, antes de tudo, um agregador.

 

A importância de um trabalho de formiga ou de formigueiro é a potência em tornar-se real. Não há problema sem solução. A produção termina sendo coletiva. Cada um opina, empresta, cria, um pouco. O sonho se torna coletivo. Todos saem modificados. Por não saber que sabiam. Entrar em aventura lúdica, despretensiosa e, por isso mesmo, de desdobramentos tão intensos e insuspeitos em cada um que participa.

 

Conheço duas pessoas que atuam no filme ‘Die Leiche und Die Sekretärin’ (O Corpo e a Secretária). Por acaso, são minha irmã e o filho dela, Vitória Maria e João Victor. Essa atriz amadora teve na vivência de atuar, criar, se desafiar, uma oportunidade de também se reencontrar. De tantas formas. Em tantos lugares. E anunciou. “A arte salva. A amizade salva: fui convidada por um querido amigo para participar de um projeto. Um filme. Que loucura! não posso, não sou atriz! Mas o projeto era sobre amor: pelo cinema, pela amizade. Nada mais. E aceitei”.

 

O sim de Vitória a ajudou a superar momentos de crise: o divórcio; uma doença longa e incapacitante (com diagnóstico impreciso e que a deixou sem trabalhar por dez meses); a depressão.

 

A arte salva. Atender seu chamado também.

 

Desejo que a mensagem subliminar contida na obra assinada por Klevson se espalhe. Domine o mundo. É preciso materializar impossíveis. É preciso luz. Câmera. Ação.

 

 

Para se inscrever no canal de Klevson no Youtube e conferir outras produções, procure:

klevsonlins

 

 

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