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NOSSO SAGRADO FEMININO

29.08.2019

Somos um grupo no Whats App. Somos pessoas que acompanham as vidas umas das outras. Somas poucas. Naquele espaço chamado “Sagrado Feminino”. O nome veio como ironia. Como reverência ao profano. Mas logo nos purificamos e entramos na onda boa de não soltar as mãos. 

 

Sofremos. Choramos. Sorrimos. Pelos acontecimentos de cada uma.

 

Tentamos aprender juntas. Separadas. Através. Por meio de.

 

Somos mulheres que passaram dos 40 anos. De repente. Como a moça do filme chega aos trinta.

 

Ficamos abismadas pelo que nunca nos contaram. Pelo que nunca enxergamos. Por verdades. Nuas e cruas. Cujas faces passaram despercebidas. Mascaradas. Cobertas. Encobertas. Pelo que nem bem sabemos o quê. Juventude? Crença? Furor? Pressa de viver?

 

Por um lado, entendo. Deve ser bem aí que mora o tesouro da juventude. Na incapacidade de prever o futuro. De sequer considerá-lo. Por isso, o jovem é esse bicho doido. Solto. Cão sem dono. Apenas cruzar o tempo – como raio – sem grandes preocupações. Dádiva cobrada adiante. Presente de grego.

 

Depois, as lentes ganham zoom de forma compulsória. Não há escolha. Não tem volta. Não é possível impedir.

 

Apenas abrimos os olhos. E a vida parece menos bela. Aparece descortinada. E continua sendo a nossa. Como pode?

 

Parece surgir do nada. Geração espontânea.

 

Afrontosa. Dorida. Cheia de artimanhas. Dobraduras. Mistérios, até então desconhecidos e menos sedutores que os de outrora, são esfregados na nossa cara, como na brincadeira da torta.

 

A próxima fase não promete mudança. Não é a continuidade. É o fim. Que nos espera.

De ilusões. Vigores. Forças. Capacidades. Alegrias.

 

Tudo o que não foi. Tudo o que não fomos. Tudo o que somos. Parece demasiado. Para ombros que já carregaram tanto. Que achavam que um dia descansariam.

 

Não há paz para os ombros quarentões. Que tenham se recostado antes. Vivido sem peso. Porque agora eles se revezam. E aumentam. Como os da academia de ginástica. 5. 10. 20. 30. Tombam o corpo.

 

Os ombros. Não aguentam. Fraquejam. Suas carnes pululam. Seus ossos trincam. Seus músculos se distendem.

 

Algo precisa ficar intacto. A alma. O espírito. A vontade. Quem sabe.

 

Já não somos bichos soltos. Vivendo pelo suor. Sonhos. Expectativas. Casa. Comida. Roupa lavada. Dos pais. Somos as provedoras. Mães. Pais. Avós. Ao mesmo tempo. E não pode haver descuido. Trégua. Nesses papeis. Só entrega. Diligência. Efetividade.

 

Fazemo-nos tantas perguntas. Há tanto "se". Tantos senões. Tanto "porém".

 

Nos julgávamos livres. Conseguimos dizer não a tanta coisa. A tantas pessoas. Conseguimos outro tanto de sim. Que pareciam acertados. Casamentos. Amores. Cidades. Profissões. Pessoas. Objetos.

 

O que houve? Não soubemos driblar os outonos ou nos proteger das tempestades? Os desafios nunca cessam. Quando todos os estágios do luto e da luta já parecem ter sido provados. Vem mais um. E outro. E outro. Nunca. Nunca fim.

 

E a gente tem que se reconstruir. Ressignificar. Relevar. Crescer. Ler nas entrelinhas. Trocar o zoom por lupa. Acreditar. Esperar. Ser paciente. Vislumbrar uma luz. Lá longe. No fim do túnel. De onde vez por outra nos soerguemos.

 

Tudo isso. Enquanto se coloca a roupa na máquina. Arruma a casa. Faz o almoço. Ouve música. Sai pra trabalhar. Leva filha ou filho na escola. Acha um programa infantil para o final de semana. Compra um orgânico para diminuir as culpas. Toma-se algo forte para segurar o rojão. Pensa na amiga que mora longe, mudou de número de telefone e a gente sequer sabe se está viva. Mas deve estar - notícia ruim se espalha. Ouve-se o barulho do prédio em obras, justo agora que se queria engolida pelo silêncio. Avisa a quem chama - hoje é dia de silêncio, bebê. Pensa no que queria comprar. Nas mulheres assassinadas. No livro que quer publicar. No que quer ler. Na revisão da taxa de glicose. Em quem está longe. Em quem se queria perto. Na síndrome do ninho vazio. No futuro novo afeto.

 

Somos mulheres que passaram do 40. De repente. É também rápido. Online. Que nos fortalecemos. Dividimos fraquezas. Sofremos. Choramos. Sorrimos. Pelos acontecimentos de cada uma.

 

Enquanto sonhamos em encontro. Em fazer uma viagem juntas. E virar bicho. Doido. Cão sem dono. Mundo afora. Para emergir.

 

O mar é para quem sabe navegar. 

 

 

 

 

 

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© 2017 por Waleska Barbosa. Orgulhosamente criado com Wix.com por Mauro Siqueira.

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