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NÃO CONSIGO ESCREVER SOBRE ISSO

18.06.2019

Tenho alguns bordões. Fios condutores de meu jeito de estar no mundo. Um deles é responder com um: “Tentando manter a saúde mental” a perguntas que escrutinam meu estado de ânimo. Recebo risadas em troca da sentença inusitada. Mas muitas vezes me dedico a explicar que estou falando sério. 

 

Tenho uma amiga que me pede: escreve sobre isso. E eu digo: escreva você. – Eu não sei falar sobre isso. O que ela me pede para socializar, pois acha extraordinário e não se furta a verbalizar essa opinião, é como eu consigo viver tantos acontecimentos de naturezas diversas e adversas e não tombar. E não desistir. E não chorar. E não abandonar barcos. E sorrir. E dormir. E receber amigos. E tomar um café. E comer os pães que adoro. E, principalmente, sambar.

 

Costumamos nos falar diariamente. Em terapia cruzada para receber apoio uma da outra. Crescer juntas com a troca de experiências.  Nos chocar ou nos divertir com o que nos acontece. E concluir: seguir. Seguir. Vamos seguir. Vamos pra frente. É o que nos resta.

 

Minha amiga queria garantias se está no caminho certo. Fica se perguntando como será a vida daqui a cinco, dez anos. E eu respondo com outra das minhas frases do coração: a vida é agora. Somos bem diferentes nesse sentido. Eu, o caos. Ela, a ordem. Cada uma querendo passar para a outra um pouco desses elementos. Ela não acredita nas minhas mudanças de humor – e é justo a elas que credito minha capacidade de manter a saúde mental.

 

Já falei que todos os dias sofro de ansiedades. E todos os dias sofro de tantas outras coisas – umas que me acompanham sempre, outras que surgem eventualmente. Eu sinto medos. Vontades. Desejos. Fracassos. Arrependimentos. Tristezas. Saudades. Não entendimentos. Raivas. Quereres. Eu sinto os sonhos. Eu sinto forças. Eu sinto fraquezas. Desistências. Preguiça. Procrastinação. Vivo nesse cadinho que sempre dá mostras de que vai entornar e me engolir. Aí, eu o seguro na hora H. E saio dele como dá.

 

Aponto o autoconhecimento como o melhor remédio. Mas eu me curo (ou aprendo) a conta-gotas. E vou acumulando também descrenças e sequelas. Mas não quero que perdurem em mim. A cada nova, recomeço a caminhada para espanar a poeira. Para entender. Estudar o caso. Não reincidir (uma hora, eu consigo).

 

Então, amiga, eu não consigo falar sobre isso. Porque minha receita não tem ingredientes certos e nem sua quantidade. Acrescento sempre um tempero. Tiro (ou ponho) um excesso aqui, outro acolá. Vivo como cada dia se apresenta. Às vezes, acolho tudo o que vier. Às vezes, não dou cabimento a certos sentimentos.

 

É que mulher tem coisas de lua. E há momentos em que lutar não basta e nem é boa estratégia. Nesse caso, a gente abraça o inimigo. E silencia ao seu lado. Deixando encravar-se em nós todas as dores que um inimigo é capaz de nos fazer sentir.  Ir ao fundo do poço. E sentir o prazer de ressurgir. De cegar com a luz da superfície. E com a claridade das profundezas de nós mesmas.

 

Eu canto. Eu danço. Eu falo só. Eu me olho no espelho. Eu zombo de mim. Eu me levo a sério. Eu busco saídas. Eu me perco no labirinto. Eu tomo vinho. Eu tenho um jogo de luz. Eu faço festa pessoal. Eu fumo na janela. Eu brinco com minha filha. Tenho momentos de solidão. Faço silêncios. Busco barulhos. Eu me transformo em outras. Mas continuo certa de que não consigo escrever sobre isso. Escreva você.

 

 

 

 

 

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