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UM AMOR, POR FAVOR

12.06.2019

 

Ela está irritada. Preferia ter ficado deitada hoje. Não ter as vistas impostas a enxergar um sem-número de coisas, falsas com certeza, que falam sobre amor. O que na sua vida deixa pistas de que o amor um dia cruzou seu caminho? Não cansa de repetir: Azar no jogo. Sorte no amor? Para quem? Para ela, brada, a sorte passou longe. Seja no jogo, seja nesse sentimento tão alardeado, sobretudo hoje no infame Dia dos Namorados.

 

Disse que deu um tempo, só por hoje, das Redes Sociais. Não quer ver os sorrisos. Não quer dar de cara com abraços apertados. Não quer que pipoquem olhares cúmplices. Não precisa saber quem ganhou flores. Joias. Café da manhã almoço jantar – românticos.

 

Prescinde de ser informada sobre quem deu um up na relação e migrou de um namoro para um noivado. Ou de um noivado secular para um dia de casamento marcado. Não quer conhecer histórias com ares de contos de fadas que exprimam, em textão, como foi que tal casal se conheceu. Que dribles acometeram o destino dos dois até que se vissem juntos. Amando. Amando? Humpf. Fechou tudo. Uma por uma. E, se pudesse, fecharia os olhos. E os ouvidos.

 

Deve mesmo ter fechado o corpo. Sem nem ter se dado conta. Pois busca, até hoje, o que na sua vida deixa pistas de que o amor um dia cruzou seu caminho. Pois foi nunca. Nunquinha. Aquilo que veio. Aquilo que tanto pareceu ser. Foi engano. Engodo. Ilusão. Traição. Mentira.

 

Por causa de tal rol de desventuras amorosas ou de desamores venturosos, não se cansa de perguntar ao tempo sobre quanto dele será preciso. Sobre se ainda há chances nessa vida. Sobre o que purga de um passado de encarnações e que ainda agora faz com que pague o que nem sabe se deve. Devia haver prescrição para crimes de vidas passadas. Isso é que é.

 

E esses balões vermelhos nas portas das lojas? Essas músicas românticas soando alto? Essas lingeries insinuantes e despudoradas se cristalizando por trás dos vidros das vitrines? Pouca vergonha. Mentira deslavada.

 

Bem que ela sabe que aquele casal se odeia. Aquele outro, se tolera. Aquele mais um ali, é onde ocorre tanta deslealdade. Bem que ela sabe. Sobretudo hoje, no infame Dia dos Namorados, os restaurantes estarão lotados. Alguém até poderá deixar o celular de lado, para um ‘olhos nos olhos’ que não passará da meia noite.

 

Sabe. Metade (ou mais) dos pretensos garanhões vai brochar. Metade (ou mais) de mulheres sequiosas será abandonada no seu desejo de gozar – bem no meio do caminho. Sabe que dedos mal ensinados vão causar mais asco do que prazer. Que vai faltar saliva. Tesão. E apenas os gritos fingidos cruzarão as paredes do motel.

 

Ah, o  consolo é saber que amanhã mesmo tudo volta ao normal. As máscaras cairão. E toda a alegria, falsa com certeza, será rompida pela dureza da verdade. Da vida como ela é. Aí, ela vai voltar tranquila às Redes Sociais. Sorrisos dormidos não terão mais o poder de minar sua fé em reconhecer as pistas de que o amor um dia cruzou seu caminho. E se deixou agarrar. Assim que esbarrou em seu corpo. Isso tudo sem precisar nascer de novo. 

 

 

 

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© 2017 por Waleska Barbosa. Orgulhosamente criado com Wix.com por Mauro Siqueira.

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