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MINHA CARNE É DE CARNAVAL

15.01.2019

Aconteceu ao final de um evento. Enquanto esperávamos os motoristas dos aplicativos, trocamos uma ideia. Para facilitar contatos futuros, buscamos o perfil uma das outras no Instagram. Diante de como apareço lá, as cariocas se entreolharam e disseram: - É das nossas. E então, você gosta mais do carnaval de rua ou o quê?

 

Precisei de um tempo para pensar na resposta. – Olha, eu nunca fui ao carnaval do Rio...Quando lembrei que elas se referiam ao Carnawaleska, meu nome de perfil na Rede Social.

 

Foi difícil dizer que não gosto de carnaval. E que o nome não queria dizer isso. Discorri sobre ter brincado poucas vezes em megaeventos carnavalescos – duas em Salvador, uma em Pernambuco, me revezando entre Olinda e Recife antigo. A maior parte do tempo estive desvendando recônditos da espiritualidade, no Encontro para a Nova Consciência, em Campina Grande.

 

Ou em casa. Em Brasília, aprendi a gostar dos bloquinhos alternativos e infantis. Nunca me desloquei além da Asa Norte e só sei que a cidade tem eventos que atraem milhares de pessoas, quando vejo as notícias no jornal.

 

Tenho a impressão que as mulheres não se interessaram pela explicação. Eu tinha me configurado num engodo. E a não materialização do nome que empunhava como uma característica, me fazia, aos olhos delas, cair em mar de lama. Verdadeiro embuste do mundo virtual confrontado com o real.  

 

A cena voltou a acontecer. Dessa vez, quando pessoas mais próximas quiseram dividir os planos da Festa de Momo, certas de que encontrariam em mim uma interlocutora rara, cheia de dicas imperdíveis, companheira para qualquer empreitada.

 

De novo, vi a cara de decepção, quando repeti minha cantilena sobre a minha relação com o carnaval. Os (poucos) em que me joguei na festança; os muitos em que estive ausente; a opinião sobre a festa em Brasília, onde tenho estado nos últimos anos – ideal para quem está com criança, pouco dinheiro e muitas dores na alma, como por coincidência, tenho estado nos últimos anos, justo no tempo em que o país todo festeja.

 

No propósito de checar minhas verdades estabelecidas, tenho revirado as memórias crenças e vivências para saber onde se deu minha pendenga com o carnaval. Ainda não consegui saber. Sinto medo no carnaval. Por um lado, gosto de olhar a transmutação das pessoas e me divirto com isso. Tempo em que tudo é possível. E permitido. E é justo quando esse tudo resvala para espaços além da diversão, que me sinto acuada. Assustada. A melhor notícia é ver que chegou a Quarta-feira de Cinzas.

 

Por enquanto, vou explicando às pessoas que se sentem enganadas. Apesar de não ter relação íntima com o carnaval, sou mesmo carnaWaleska. Uns amigos poetas fizeram o trocadilho. Gostei. Adotei a alcunha. Também precisava achar um perfil disponível nas Redes.

 

No mais, eu sou da alegria. Da festança. Do sorriso. Mesmo que não seja período da grande festa. Minha carne é de carnaval. Meu coração é igual. O ano inteiro. 

 

 

 

 

 

 

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© 2017 por Waleska Barbosa. Orgulhosamente criado com Wix.com por Mauro Siqueira.

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