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A PALAVRA

20.07.2018

FDP NOJENTAS. É assim que está escrito na Internet em comentário de matéria sobre o Dia do Orgulho LGBT+, transcorrido em junho. O texto fala do relacionamento entre Thamy Miranda e Andressa Ferreira. E as palavras acima são apenas duas das dezenas usadas contra o casal.

 

Elas me remeteram à experiência de participar da Jornada de Poesia LGBT+, realizada pelo Instituto Cultura Arte Memória LGBT+ e pela Casa de Cultura da América Latina, em Brasília, na semana passada.

 

Atrapalhada, terminei participando de uma oficina na qual não estava inscrita. Daqueles acasos inexistentes. Que servem para dar nó na teia da vida que nos leva aonde precisamos. Onde devemos estar. E ser.

 

Conduzidos por Juliana Motter e Maria Leo Araruna,  fomos convidados a intervir sobre as paredes pintadas de preto da nossa sala. Com giz branco ou colorido, devíamos escrever dez palavras relacionados ao título da oficina, Poesia-Corpo-Cidade. Depois, escrever novos textos a partir do que já havia, em passeio pela produção recém-nascida.

 

Na viagem de poucos passos e longo percurso interno, limitei-me a acrescentar sílabas ou poucos vocábulos sobre as demais. Busquei fazer esse jogo de sons, imagens, estética, poética. Para além de minha experimentação, o que vi surgir como narrativa por parte de quem, em uma primeira leitura, teria seu espaço à cidade (e à vida) negado, foi uma enxurrada de duras e algumas vezes leves e bem-humoradas descobertas.

 

Umas vezes reproduzindo o que ouvem. FDP NOJENTAS. Noutras traduzindo a esperança e, mais importante, a luta, pelo direito de existir como se é, as pessoas que estavam ali realizamos, em poucos instantes, uma obra contundente – em forma de relato, de linguagem, de escrita. Grito de alerta.

 

Ao final, em roda de conversa, vislumbramos o todo e todas as suas partes. Artes. Ler em voz alta os trechos que atraiam e pediam para ser verbalizados. Discorrer sobre impressões. Juliana Motter tinha uma certeza com relação ao que espera da palavra. Perceber isso me deu um entendimento desses de abrir novos caminhos.

 

Eu que ando ou andava às voltas com a dúvida de não saber muito sobre a literatura em mim, fui atropelada pela resposta simples: se a palavra é apropriada por qualquer um para ferir e interferir, precisa ser aprendida. Apreendida. A matéria palavra virada ao avesso. Para usos. Desusos. Abusos. Usufruto. Testemunho. Espelho. Luva de pelica. O que se quiser fazer dela. Nunca o nada.

 

Passando por Brasília, re-pare-SE. Passantes apressados alijados sedentos de. Cidade. Paralisados por arte.  Poesia. Beleza. Perguntas que saltam e se soltam de marquise caindo aos pedaços. Questionamento que voa de um dos tantos blocos atados. Paredes lambidas por (des)pretensiosos textos em ferro fogo sangue cunhados.

 

Nós, gentes, tatus, saídos dos buracos. Podendo (nos) desenterrar. Nos olhos boquiabertos embasbacados. Espiar. Se deixar ser espiado. O espaço urbano reinventado. Muita gente se dedica a esfregar palavras na cara dos caretas – como profissão  arte ativismo. A palavra. Entendi. É corda em que se agarra para entrar. Ou sair. Do abismo.

 

 

 

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© 2017 por Waleska Barbosa. Orgulhosamente criado com Wix.com por Mauro Siqueira.

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