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POR QUE NÃO ESCREVO?

11.07.2018

O livro é de 2006, mas só o conheci há poucos dias, na estante de uma sala em que fui participar de vivência terapêutica. Por que escrevo?, organizado por José Domingos de Brito na série “Mistérios da Criação Literária”, traz respostas de autores consagrados à pergunta.

 

A mim, me serviu a pergunta contrária. Por que não escrevo? Esta sim, foi uma questão-chave que abriu as portas do autoconhecimento e, por fim, me leva a escrever, no último ano, com mais frequência do que o fiz a vida toda que está por trás de fevereiro de 2017.

 

Percebi uma forte autocrítica – do tipo que leva à procrastinação. Percebi o perfeccionismo que paralisa. Percebi que a minha adrenalina era tão grande que, escrever um texto me exauria a ponto de evitar aquela sensação por tempo indeterminado.

 

Percebi que, depois de pronto, olhava para o texto e dizia: - e agora? Você não ganha vida própria? Vai ficar parado aí, me olhando? E um texto que não ganhava asas para se afastar para sempre, isso eu não podia suportar.

 

Passei anos sem produzir nada.

 

Foi pior. A cobrança não era menor do que nos tempos em que havia me dedicado a escrever crônicas e matérias jornalísticas ao estilo literário. Ia me mastigando por dentro. Criando uma maçaroca de procrastinação, paralisia, adrenalina, exaustão.

 

Eu pensava que se tanta gente boa escrevia, eu não precisava ser mais uma. Eu, criada no meio de dez irmãos, todos muito íntimos com a escrita, não teria motivos para tentar algo em que eles mesmos se bastavam.

 

Eu não queria emitir julgamentos. E nem sentenças. Dar pitacos peremptórios sobre algo, a supostos leitores. Dar uma de sabichona. Eu, após o advento da Internet, não aguentaria, se fosse o caso, ser apedrejada em praça pública por causa de pensamentos ou palavras. Meus.

 

Eis razões pelas quais não escrevia.

 

Felizmente, fui vencida. Afunilei o labirinto. Aliás, ele foi reduzido a rua sem saída. Pista  de mão única. Próxima parada. Eu escrevo porque mesmo sem escrever, o faço. Minha mente trabalha com parágrafos. Minhas imagens são escritas.

 

Evitar as palavras não me dava garantia de que elas me largariam.

 

Então, batuco as letras no teclado, pintando sua invisibilidade. Tiro minhas histórias do pensamento e coloco todas no papel. Algumas viram texto. Outras, anotações à mão que vão morar para sempre, inacabadas, em caderninhos vários.

 

Foram embora todas as cobranças. Expectativas. Ansiedades. Escrever é, hoje, um gesto sereno e prazeroso. Um encontro delicado e carinhoso comigo.

 

Escrever é sopro de vida diário. Massagem cardíaca. Manobra de ressuscitação. Me ensina. Me (a)preEnde. E eu preciso estar viva.  

 

 

 

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© 2017 por Waleska Barbosa. Orgulhosamente criado com Wix.com por Mauro Siqueira.

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