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A BARRA DA AURORA

12.05.2018

Agora sim. A folha. O espaço branco. Está centralizado.

 

Pensei que seria mais um bug. Sobre o qual eu não teria poderes. Nem sapiência para consertar. Um zoom a mais. Outro a menos. E cá a tenho como deveria ter estado desde o princípio. Tivesse aparecido como sempre fez e eu não teria passado por instantes de desespero.

 

Com ela assim, ajustada, a folha, resta-me preenchê-la. E agora o bug é meu. Está em mim. E no mistério que toma conta do vir a ser. Porque vir a ser já é mistério. E é sobre ele que queria ter poderes. E sapiência. Um zoom a mais. Outro a menos. Com isso até eu sou capaz de lidar.

 

Acordei há muito. Não achei palavra ainda. Não seria essa. Despertei. Pulei. Fui sacudida? O fato é que não há ritual. Ressinto-me de não ser como aqueles que apertam “soneca” no despertador. Umas tantas outras vezes. E que se enroscam nos panos. Ou nas gentes. Se houver. Que dizem não ao raiar do dia. E à fisiologia. E às necessidades. E aos horários.

 

Quando vem aquilo que não sei chamar o nome. Já estou de pé. Não há vestígios de que há um segundo, dormia. Talvez uma remela no olho? Um leve inchaço? Um risco de baba ressequida no canto da boca? Nem isso. Estou pronta. Para quê?

 

Repasso meus dilemas. E os alheios. Rio deles, afinal. Dos meus. Respeito os alheios. São tão graves como julgaria os meus. Se não me parecessem tolos. Ao amanhecer. À medida que o tempo passa, me engolem.

 

Ontem rezei para que o dia seguisse tão leve quanto amanhecera. Em mim. Mas me sei sombras que se agigantam. Até me encobrirem. Até me colocarem em desatino. E então, acordo. Não. Desperto. Pulo. Sou sacudida.

 

Que mãos invisíveis fazem assim comigo? Que deuses. Ou demônios. Ora, não veem que preciso de mais horas de sono. De descanso? Não leem a profusão de artigos que dão conta dessa necessidade humana? Deixem-me em paz.

 

Reclamo.

 

Mas chacoalhada por uma lufada de sensatez, permito. Isso mesmo. Reclamo. Mas gosto. Já sou capaz de ver uma beleza nisso.

 

Venham mesmo. E entreguem às minhas vistas aquela barra vermelha, a da aurora. Por entre as frestas das árvores. Para além dos prédios baixos. E entre eles. Eu a vejo. E quedo-me maravilhada.

 

Então foi para isso que me colocaram acesa em plena madrugada. Para testemunhar a escuridão sendo dissipada. Eu agradeço. Gosto mesmo disso.

 

Queria mais. Queria estar ainda no mais plano do Planalto. Sem as árvores. Sem os prédios. Sem intuir. Sem inventar. A parte que sou impedida de enxergar.

 

É espetáculo curto. Quando volto do banheiro. Ou da janela em que me escondo para fumar o mais proibido dos proibidos cigarros (dada a hora em que lanço seu cheiro e sua fumaça sobre os que dormem).

 

Ninguém está satisfeito. Não reclame. Passe uma semana sem reclamar. E verá os efeitos.

 

Eu vi a barra da aurora. Saí mais cedo que ela. Da cama.

 

Fui surpreendida pelo vermelho longínquo que cortava a escuridão.

 

E ainda bem que vi. Pois na volta. Não que eu tivesse me demorado onde estava.

 

Ela não existia mais.

 

Eram outras as cores.

 

Claridade.

 

Cantar de pássaros.

 

Não preciso mais me esconder.

 

Ainda sou luz.

 

 

 

 

 

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