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A MALA. SEM ALÇA

09.02.2018

Me empresta os óculos que é para eu te ver melhor.

 

Me segura no carro, para ouvir o som que te move no momento. Já foi Ben Jor.

 

Sempre tem algo novo para compartilhar. Ou porque combina com você. Ou porque combina com o outro. A outra. Comigo.

 

O café é a promessa. Mas nem sempre vem. É tomado antes. Você. É. Tomado.

 

E então tiro sua roupa. Porque me pede. E espalmo a mão escura sobre sua pele. Porque me pede. E então, respira aliviado por conhecer. Meu corpo. Minha mão. O meu gesto. O meu gemido. A minha vontade.

 

E então te cheiro. Porque gosto de cheirar. Porque gosto do teu cheiro. Porque ele vai sumir das minhas narinas por dias. Meses. Anos a fio.

 

Era menina. Quase. Quando aconteceu. Da próxima serei jovem-senhora-idosa.

 

Que passou a vida adulta se perguntando por que. Por que não você. A razão dos intervalos. Em um tempo que dura não se sabe quanto. Que pode ir a qualquer momento. Em ponteiro que não te veja voltar.

 

Já desejei o que vi. Já desejei por curiosidade em querer ver. Já deixei de desejar por medo do que veria. Já quis ver de qualquer jeito. Com medo. Ou sem ele. Com coragem. Ou falta dela. Para saber quem era você afinal. O que o tempo mudara. Ou mascarara. Era engano. Ou ficara.

 

Gosto sabe de quê? De te ver dançar. Sabia? Sabia? Era isso que eu tinha para dizer.

Faz o show aí, que eu sou plateia alucinada. Vou tomar ácido. Viajar no teu embalo. Olhar com olho admirado.

 

Também conheço o seu gesto. Medido. Articulado. Como se sempre ensaiado. Como se cronometrado. É nesse compasso lento que ajusto o meu. Desabalado.

 

Lê pra mim. Que piro com esse sotaque. Também tem sempre livro novo. Compartilhado. Obrigada. De nada.

 

Mas para de contar a história. Me deixa acordada.

 

Quero achar um cantinho debaixo dessas asas.

 

Desculpa por te acordar. Você só precisava me aninhar.

 

Mas não. Quer. Né? Só um pouquinho. Tira a mão daí que doí o meu ombro. Me deixa dormir.

 

Você entra no sonho. Sonhei com você, sabia? E a gente sorria.

 

E fui embora como quem não quer nada.

 

Pediu que eu ficasse mais um pouco. Deitada.

 

Estive aí por horas, cara pálida.

 

Agora como hei de partir. Me conta. Como se diz? Ficaí.

 

Como se manda uma mulher ir embora?

 

Ficaí.

 

Era como se fosse liberdade. Mas era prisão.

 

Outro dia. Velha encarquilhada. Lamenta por ter ido. E por ter ido embora.

 

Conta como hei de partir.

 

Seu cheiro. Inferno. Está aqui.

 

Esse jeito de falar. Andar. Agir.

 

Essa rotina de viver que parece mansa e bem arranjada. Me confunde toda. Me maltrata.

 

Mexi no meu plano de solidão. Por você acompanhada.

 

Como se manda um homem ir embora? Sem ser maleducada.

 

Xô.

 

Larga minha alma.

 

Como se não conseguisse carregá-la.

 

Como se fosse mala.

 

Sem alça.

 

 

 

 

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