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COMBOIO DE CORDA

12.10.2017

Doeu de morte.

 

Tom de despedida sequer prevista.

 

Não gostei da sensação.

 

Não se tratava de morte. Nem de despedida.

 

Era anúncio. De partida. Ou só viagem. Ou nada disso.

 

Apenas intenção e vontade.

 

Doeu de morte.

 

Mas o que havia era vida. Farta dela mesma. Em todos os sentidos. Farta de vontades. Em todos os sentidos. Farta de tentativas. Em todos os sentidos.

 

Restava a mim, doendo de morte e ferida de despedida sequer prevista, o que resta nessas horas.

 

Relembrar tudo o que se passara. E sentir. Dores. E amores. E me perguntar as razões. De ser. E de não ter sido.

 

Entender a mensagem oculta. Os motivos. A função.

 

Deixar escapar um sorriso. Resquícios de tantas risadas que demos.

 

É como querer o melhor a um filho.

 

Desejar que a partida – se houver – traga alívio imediato.

 

As respostas que se procura.

 

Que pudesse receber alento da vida.

 

Que fosse diferente.

 

Ele. O desejo de ida.

 

Podia passar horas absorta nas lembranças.

 

De nada adianta.

 

Beco sem saída.

 

É você a pessoa que deu um nó cego em meu peito.

 

É coisa assim de dizer que foi melhor por já ter sido.

 

E é tão estranho isso.

 

De não entender. De abraçar e agradecer. Por não ter acontecido.

 

Meus olhos não veem atrás de brumas. Não enxergam no escuro.

 

Minhas mãos não desnudam enganos.

 

Cristalinos. Borramentos. Problemas na visão.

 

Gosto de claridade.

 

Sufoco com imprecisões.

 

Poderia ter ido até o fim. Mas ele veio até mim.

 

Não costumo brigar com destino.

 

Não dou conta de você, meu menino.

 

Canso também.

 

Mas não posso dar tchau e ir embora.

 

Tenho que dobrar mágoas e enganos e não entendimentos numa matula que já se extrapola. Nem fecha mais nem se fecham suas histórias.

 

Algibeira repleta de memória.

 

Vai. Ser gauche na vida.

 

Como poeta que também é.

 

Vai pela sombra. Para não queimar o pé.

 

Antes das feiuras vem a alegria.

 

Vai ser a pessoa para quem nasceu.

 

Vai. Fala alto. Grita palavrão.

 

Come sólido. Água.

 

Toca violão.

 

Quem tem uma viola só chora se quiser.

 

Você tem sorriso para o que der e vier.

 

Tem uma dor que finge. Mesmo quando não mente.

 

É comboio de corda.

 

Que se chama coração.

 

O seu dom é esse.

 

De espalhar-se em na solidão.

 

Vai deixando esse rastro.

 

Dor de morte. Despedida.

 

Atos são pássaros engaiolados.

 

Um na mão.

 

Melhor que todos voando.

 

 

 

 

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