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DIETA DA VIDA

07.08.2017

O dia em que minha vida mudou.

 

De novo.

 

Não a vida.

 

Talvez a vida.

 

Mas minha mente.

 

Minha cabeça.

 

Meus neurônios.

 

Minha sanidade rasa.

 

Foi o dia em que pude me debruçar nos textos do Mulheres que Escrevem.

 

Coisa boa são essas pequenas revoluções.

 

Sementes eclodindo.

 

Casulos se rompendo.

 

Tem muita coisa se bulindo em mim.

 

Chegando ao ponto de ebulição.

 

Eu sempre evitei chegar nele.

 

Dava ansiedade.

 

Impaciência.

 

Sensação de demora.

 

E fracasso.

 

Sempre desliguei o fogo.

 

Mexi no fogão – baixei o pitoco.

 

Não abanei.

 

Joguei água.

 

Cobri com terra.

 

Ficaram cinzas.

 

Que me abrasam agora.

 

De forma mais branda.

 

Suportável.

 

Agora vem um vento.

 

Eu o acolho.

 

Sem medo do frio.

 

Nem do arrepio.

 

Nem que descubra a terra e as cinzas.

 

Que mostre a brasa.

 

Porque queima.

 

E deixo que queime.

 

Porque entendi o tempo das chamas.

 

Aprendi sobre o fogo.

 

E não quero sufocá-lo.

 

O fogo pode ser usado a favor dele mesmo – dizem novos estudos sobre queimadas.

 

Manejá-lo.

 

Acredito no fazer coletivo e sempre me ressenti de um fazer solitário.

 

Havia em mim uma deficiência qualquer que tornava isso inalcançável.

 

Já não me dói.

 

Não há mágoa nem amargor.

 

Porque valorizo o meu caminhar como necessário para tudo o que vem se assentando em mim.

 

Aos poucos.

 

E há muito tempo.

 

Sempre quis pontuar um marco.

 

Mas isso não faz mais sentido.

 

É a vida toda.

 

É um tempo que precisou ser longo.

 

Tem a ver com identidade.

 

Com perceber o lugar que ocupo e qual é o meu.

 

Tem a ver com afirmação.

 

Tem a ver com ouvir/ler mulheres. Negras. Brasileiras. Resilientes.

 

Tem a ver com suas dicas. Seus toques. 

 

Com fichas caindo.

 

Tantas.

 

Tem a ver com a coragem de falar.

 

Escrever.

 

Do nada. De nenhum em muito tempo. Para um por dia.

 

E a oportunidade de entender sobre o quero falar. O que ainda é difícil. O que está sendo gestado. O que quer ser vomitado. Expurgado. Posto para fora. Porque cura.

 

Por que escrevo? Escrevo para não enlouquecer.

 

Parafraseio Cátia de França referindo-se ao seu cantar.

 

Hoje enlouqueço menos. E postergo a loucura para o dia seguinte.

 

Por enquanto só o fogo.

 

Há.

 

Queimando.

 

Brando.

 

Preparando-me para o que já está pronto.

 

Semente.

 

Servida fartamente.

 

Dieta da vida.

 

 

 

 

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