Please reload

PROCURE POR TAGS: 

11.03.2020

29.01.2020

28.01.2020

27.01.2020

Please reload

POSTS RECENTES: 

SIGA

  • Facebook Clean Grey
  • Twitter Clean Grey
  • Instagram Clean Grey

AQUI ME TENS DE REGRESSO

02.08.2017

Já dormi.

 

Acordei.

 

E ainda vou para a cama.

 

São 2h15 da manhã.

 

Entendo meu ritmo – dizem que isso é muito importante na vida. Leio em manuais de autoajuda. 

 

Tenho energia pela manhã e à noite, incluindo madrugada adentro.

 

Passo por um limbo entre o meio da tarde e o início da noite.

 

E por mais que tenha uma lista mental cheia de itens para cumprir o que me dá vontade é chegar em casa depois do trabalho tomar um café, ligar um Netflix e olhar para a tela por um tempo que leva entre trinta segundos e quinze minutos, antes de cair em sono profundo.

 

Ainda não são 18h. Tenho que buscar minha filha. 

 

Acordo com o som do despertador. Cara amassada. Rosto suado. O filme terminado a minha revelia. E o Netflix solicitando uma avaliação para o que sequer assisti. Dedinho para cima. Dedinho para baixo. E terei ajudado milhares de criaturas que jamais conhecerei a fazer sua próxima escolha.

 

Tomara que cheguem até o final. Que façam uma avaliação fidedigna da película. Solidariedade virtual isso devia se chamar. Mas se chama interatividade. Ou algo que o valha. Não consigo acompanhar os tantos novos conceitos do mundo digital. Ou algo que o valha.

 

Raramente consigo realizar o sonho do ócio pelo ócio. Basta um telefonema, um compromisso mínimo ou uma das atividades regulamentares que acaba a tarde. E me resta tentar para o outro dia o descanso desejado.

 

Meus amigos dizem que sou ‘ninja’. Com um cochilo consigo me refazer.

 

Mas isso nem sempre acontece.

 

Por vezes sou traída pela fama. E perco o compromisso. E fraquejo. E me deixo cair no sofá. Como fiz hoje. Por volta das 22h. Luz acesa. Rádio sintonizado na Nacional FM – tocando alto para o horário. Porta escancarada.

 

Acordei assustada.

 

Renovada.

 

Arrumei a casa (que vem de um pós-festa de aniversário da filha), lavei louça, joguei lixo, pendurei roupas, pus outras para lavar, varri o chão.

 

Os vizinhos que me perdoem.

 

Já entendi meu ritmo – dizem que isso é muito importante na vida.

 

Meu corpo funciona muito bem de madrugada.

 

Acho que o peso na consciência pelo não feito vai tomando espaço enquanto durmo, ou tiro uma madorna, como se diz na minha terra. Acordo com a sede de anteontem para ganhar o tempo perdido. Enxugar o leite derramado.

 

Sou amiga da noite. Da boemia, diria.

 

Embora essa amizade seja vítima dos nossos tempos. Marcamos um encontro para um dia qualquer, juramos que alimentaremos a admiração em comum, visualizamos uma boa conversa, olho no olho na mesa do bar. E sequer trocamos mensagem pelo celular.

 

Tenho com ela o tipo de relação em que podemos passar anos sem nos ver. E quando acontece parece que foi ontem.

 

Sabemos tudo uma da outra. Perguntamos pela família. Trocamos confidências.

 

Fofocamos.

 

Disponibilidade mútua.

 

Adoramos o reencontro.

 

Quando é hora da despedida trocamos juras.

 

Por que danado deixamos que isso aconteça?

 

Tanto tempo assim.

 

Nos vemos em breve.

 

Dessa vez não tem desculpa.

 

Quebraremos o silêncio.

 

Nem que seja com um emoji.

 

Um copo de cerveja.

 

Uma taça de vinho.

 

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

© 2017 por Waleska Barbosa. Orgulhosamente criado com Wix.com por Mauro Siqueira.

  • b-facebook
  • Twitter Round
  • Instagram Black Round