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O DIA EM QUE NÃO ACORDAMOS

26.07.2017

Já escrevi por aqui da angústia que sinto ao pensar no dia em que não amanhecemos.

 

Não acordamos.

 

Estaremos provavelmente sendo velados por amigos e familiares.

 

Foco de bons desejos e lembranças.

 

Preces. 

 

Lágrimas e saudades.

 

Estamos deitados. Mãos postas. Terço rodeando os dedos rígidos. Flores cobrindo algo que já não somos nós.

 

Porque chamado de corpo.

 

Agora há uma divisão.

 

Que noutros tempos era duvidosa.

 

Agora não.

 

É certeira.

 

Se já não podemos falar, sorrir, abraçar, dançar, fazer juras de amor, pentear os cabelos da mãe, admirar os filhos, cuidar de orquídeas, ler, orar.

 

Se já não temos mobilidade e nem livre arbítrio.

 

Estamos mortos.

 

Corpo.

 

A alma ganha primazia então.

 

Ela que reina.

 

Está plena. Viajando. Conhecendo luzes.

 

Caminhos.

 

Serenos.

 

Retos.

 

Nada tortuosos.

 

Seguindo por um tempo eterno.

 

Livre de coisas mundanas. Terrenas.

 

Estaríamos libertos. Isso sim.

 

Hoje é o dia em que a amiga Gleudecy não abriu os olhos.

 

Voltou para a pátria espiritual, como gostava de dizer sobre os que partiram antes dela.

 

Pego-me a imaginá-la lá.

 

Inerte.

 

Pego-me a rememorar o que vivemos juntas.

 

As lembranças me traem.

 

Não vêm nítidas. Nem muitas.

 

Sei apenas que foi uma presença de amor. Carinho. Prontidão. Gentileza.

 

Na vida de nossa família.

 

Quando se foi meu irmão Raniere na viagem que hoje faz Gleudecy, ela veio até nós, os Barbosa.

 

Trouxe conforto.

 

Trouxe amizade.

 

Rompeu a distância e nos chamou a todos para uma amizade virtual.

 

Valiosa.

 

Desde então, não passou um dia sem enviar palavras do bem e do belo.

 

Sem desejar bom dia.

 

Boa noite.

 

Sem enviar músicas e vídeos com mensagens altruístas.

 

Faziam a diferença.

 

Nos davam o ânimo necessário.

 

O aconchego que faltava.

 

A certeza de não estar sozinhos.

 

No mundão de meu Deus.

 

Na segunda mesmo fui saudada por ela.

 

Na terça, ao invés disso, a notícia de sua morte.

 

Daquela que nos choca, além de tudo, por ser tão abrupta.

 

Repentina.

 

Não deixou rastros. Nem suspeita.

 

Aconteceu.

 

Aconteceu daquele jeito que nos faz pensar.

 

No tempo que não temos. Nunca temos.

 

Sempre será pouco.

 

Que não seja subestimado.

 

A vida é agora.

 

Mesmo.

 

Desejo que o retorno seja tão iluminado quanto o que semeou por aqui, entre nós e entre os seus.

 

Deixo aqui minha dor.

 

Do dia em que Gleudecy não amanheceu.

 

Ocupou-se em fazer longa viagem.

 

Destino de todos nós.

 

Afinal.

 

O final.

 

É apenas recomeço.

 

Retomada.

 

De caminhos outros.

 

Ela acreditava nisso.

 

E a gente fica.

 

Até um dia. 

 

Na grande estação. 

 

 

 

 

 

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