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PÓ DE CHIFRE. CHIFRE EM PÓ

21.07.2017

Tem em cápsula.

 

Em caixa longa vida.

 

Granulado.

 

Em lata.

 

Sólido.

 

Liquido.

 

Gasoso.

 

Mas a forma que ganhou música do forrozeiro Biliu de Campina, é outra.

 

“Chifre em pó, pó de chifre, chifre em pó.

Bate o pó, assopra, raspa.

Isso aí nunca foi caspa,

Não tem cura, é chifre em pó.”

 

Que o diga o morador do Mato Grosso.

 

Homem simples. Anônimo.

 

Até então.

 

Agora, é conhecido em todo o Brasil.

 

Pelo menos a história que contou.

 

Na delegacia.

 

O teor do boletim de ocorrência, do dia 17 de julho, comoveu o país.

 

Identificando-se como “corno dos grandes”, o homem evitou o caminho seguido por muitos dos seus pares que suspeitam de traição.

 

Não cometeu feminicídio. Não ameaçou. Não fez loucuras disfarçadas de crimes passionais.

 

Talvez tivesse procurado um terapeuta.

 

Um amigo de longas datas.

 

Mas não entendia de profissionais especializados.

 

Amigos estavam em falta no mercado.

 

Pensou onde encontrar ouvidos obrigatórios. Institucionalizados. Existentes por força da Lei.

 

Entrou na delegacia.

 

E desabafou.

 

Porque fez a choradeira à frente de um escrivão, recebeu um boletim de ocorrência registrado.

 

E divulgado Brasil afora por força da Internet.

 

O profissional que aceitou ouvir e formalizar a queixa pode ser punido.

 

Os superiores estudam a possibilidade.

 

Mas o homem, chamado no documento de comunicante, queria mesmo era punição para a morena bonita que achou na rua e levou para casa.

 

Fez ele de corno.

 

Desde o começo.

 

Dá para outros machos. Na frente dele.

 

Até secou os pneus da bicicleta.

 

Para dificultar a mobilidade da morena bonita.

 

Impedir que fosse de bike ao encontro do outro, o urso, o Ricardão (e esses termos ele não usou nos autos).

 

Mas não adiantou.

 

A bonita se encontrava com os tais embaixo do seu nariz. O nariz dele. Na porta de casa. Até dentro.

 

Comunicante quer uma providência da autoridade policial.

 

Pelo amor de Deus.

 

Está doendo na cabeça.

 

É corno dos grandes.

 

Reiterou.

 

Fosse em pó, aos moldes do pregado por Biliu, o chifre que levava, comunicante estaria sofrendo menos.

 

A cabeça não pesaria.

 

Não estaria tão doída.

 

Teria evitado a ida à delegacia. O vexame nacional.

 

A verdadeira dor de cabeça.

 

Foi convidado a voltar à delegacia.

 

Explicar melhor aquele sinistro.

 

Definir se espera mesmo por providências.

 

Se sim, ouvirá um pedido de desculpa. Foi engano. Terá que procurar outro lugar.

 

Aquele crime não está previsto nos alfarrábios.

 

É pó de chifre.

 

É chifre em pó.

 

 

 

 

 

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