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A PRETA BRASILEIRA

14.07.2017

 

A preta brasileira sonhou com a letra.

 

E deu voz ao que sente uma mulher. Preta. Quando vive situações corriqueiras como ir ao shopping (e ser vigiada pelos seguranças) ou passear pelas ruas (e levar cantadas em que é “promovida” à morena).

 

A música intitula o show trazido a Brasília, Teatro da Caixa, pelo projeto Samba de Bamba, na última quarta-feira.

 

Então conheci Juliana Ribeiro.

 

Preta sorridente e serelepe.

 

Não para de dançar.

 

De surpreender com o repertório forte. Intenso. Divertido. Carregado de passado. De matéria farta. 

 

Passa pela senzala, toca os corpos negros, viaja pela ancestralidade, chama para o presente. “É isso o que queremos para as nossas crianças? ”, pergunta depois de enumerar os pontos de prostituição infantil mapeados pela Polícia Rodoviária Federal em estradas nordestinas em 2016.

 

É baiana. De Salvador. Historiadora, mestre em cultura e sociedade. Conta e canta o samba ao longo do tempo.

 

Séculos.

 

Lundu, jongo, maxixe, semba angolano, batuque, samba de roda.

 

Toda uma estrada em que caminha com leveza, verdade, graça.

 

Acenando para nossas entranhas. Lembrando que é preciso saber de onde viemos.

 

É formada em canto lírico. E no popular.

 

Brinca com a voz como se disputasse campeonato de iô-iô. 

 

Auge em Tico-tico no fubá, quando visita Carmem Miranda. 

 

Não estica o cordão.

 

Destreza.

 

Entende a hora exata de segurar o brinquedo. Soltá-lo. A voz.

 

Sabe descer para o play.

 

Diverte-se.

 

Como a criança que é.

 

Sorri. Chora. Chama a prima, Dhi Ribeiro, para um dueto.

 

Encanta. Hipnotiza.  

 

Põe a mão na cintura e circula no palco.

 

Leva a plateia junto.

 

Naquela noite lembrei de minha avó. Dona Ana.

 

Indígena alagoana. Carregava um pandeiro. Tocava o instrumento com os dedos deformados pelo reumatismo.

 

Fazia improvisos com a memória da resistência.

 

Cantava com a voz trêmula. Não tinha dentes.

 

Onde estava o pandeiro de vó?

 

Cadê os registros de suas cantorias.

 

Acordei nessa busca.

 

Precisando saber de onde vim.

 

Entrar nesse lugar.

 

Juliana me ensinou assim.

 

Uma noite antes.

 

Em que fui revirada pela arte.

 

Entendi que o palco é lugar grande.

 

Onde cabem revoluções.

 

Evoluções.

 

Sons.

 

Universais.

 

Feliz por conhecê-la.

 

Mistura do ser.

 

 

 

 

 

 

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