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O ESSENCIAL VISÍVEL

10.07.2017

O essencial é invisível aos olhos.

 

A frase de Saint-Exupéry consta n’O Pequeno Príncipe e até hoje serve como bordão de autoajuda e como uma chacoalhada nos espíritos desavisados.

 

É também o título de uma instalação interativa em cartaz na Caixa Cultural de Brasília.

 

Estive lá para assistir à mostra de cinema Diretoras Negras.

 

Com tempo livre, resolvi ficar nos arredores da obra da dupla VJ Suave (Ygor Marotta e Ceci Soloaga).

 

Li todas as letrinhas grudadas na parede sobre o objetivo dos artistas.

 

Estava diante de uma floresta cheia de elementos de poder e figuras fantásticas. Com sorte receberia um recado do Pajé. Excertos de conversa gravada com um curandeiro acreano.

 

No entanto, o visível até o momento eram pontos de luz coloridos e uma grande pedra de cristal fictícia. 

 

A floresta era uma criação tecnológica. Para vivenciá-la seriam necessários óculos, fones de ouvido e dois controles, semelhantes aos do vídeo game.

 

Fui atraída pelo cenário. Pelo mistério que encerrava.

 

Decidi penetrar aquele mundo natural. Ou sobrenatural.

 

Lá dentro, a selva. Em pleno centro comercial da capital do país.

 

Eu não precisaria me mover. Bastaria acionar os botões do controle com delicadeza para dar início ao passeio.

 

As letras da parede avisavam que a viagem dependia do espírito do aventureiro. Era preciso estar atento e forte. Viver o presente. Ouvir. Reparar nos sinais e nos encontros possíveis durante a jornada.

 

O céu cheio de estrelas. Gradação de cores. Nuances que precisavam mesmo de atenção.

 

Folhas, árvores, flores, obstáculos, montanhas e os sons da natureza.

 

Convidativo.

 

Deitei-me no chão para contemplar.

 

Lembrava a noite no Xingu.

 

Lembrava que eu precisava de descanso. De remanso.

 

Estava completamente absorta quando ouvi o monitor dizer que a experiência havia acabado.

 

Lamentei. Decerto não estava totalmente entregue. Não tinha visto quase nada do que estava prometido.

 

Sem fila de espera, poderia renovar os meus dez minutos.

 

Fiz isso. Na segunda viagem, avistei ao longe, da beira de um penhasco, a cachoeira e a fogueira.

 

Tentei me aproximar.

 

A folhagem batia no rosto. Eu soltava pequenos gritos, reais, enquanto tentava me desvencilhar daqueles perigos.

 

Fui. Voltei. Não consegui achar aquela parte do paraíso.

 

De repente, me joguei no chão, larguei os controles, tirei os óculos, os fones e parte da roupa – os agasalhos necessários naquela tarde de inverno.

 

Suava em bicas. Mãos geladas. Os pontos de luz agora eram um só clarão tomando conta da minha cabeça, dos meus olhos. Girava. Foi difícil ficar em pé. Sair dali após o copo com água que recebi (única providência tomada pelos responsáveis).

 

As letras grudadas na parede também avisavam que quem tivesse labirintite evitasse o passeio. Os óculos podiam gerar mal estar. Ao primeiro sinal de desconforto, o visitante deixasse o lugar.

 

Acho que demorei a fazer isso. A perceber que a coisa desandara. 

 

Não pude assistir ao filme da mostra. Quase não consegui dirigir depois. Passei o resto da noite ouvindo e vendo coisas inexistentes.

 

Horrível.

 

Revelador.

 

O essencial é invisível aos olhos, afinal.

 

Por isso, quando estive na chácara de uma amiga ontem, me entreguei sem pudores ao céu, às estrelas, às cores, às árvores, à água, ao sol e mais tarde à lua.

 

Ouvi todos os sons da natureza.

 

Fizemos uma fogueira.

 

O pajé me sussurrou que o real é ainda melhor que o virtual.

 

 

 

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