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QUE PENA!

31.05.2017

Sumiu.

 

Nada, não.

 

Castigo.

 

Não vai fazer falta.

 

Já foi tarde.

 

Pensava assim porque com aquela relação turbulenta e sem reciprocidade, não podia ser diferente.

 

Não tinha esforço da sua parte que valesse a pena, que fosse considerado, que servisse como indulto.

 

No começo, fez que não percebeu. Continuou como se nada tivesse acontecido.

 

Permaneceram, da sua parte, as gentilezas, o carinho, a vontade de que seu sentimento fosse correspondido.

 

Mas depois foi tomada por instintos de segunda linha ou, como diriam por aí, pela famosa vingança.

 

Não achava que esses golpes baixos combinavam com sua linhagem.

 

Mas de tão confrontada por aquele comportamento arredio às vezes cegava e perdia a compostura.

 

A relação turbulenta seria prato cheio para os psicanalistas. Freud, então, teria adorado conhecer a história.  

 

Seria cômico se não fosse trágico.

 

Sentia-se preterida. Era como se fosse intrusa em seu próprio reduto. Como uma maçã na laranjeira. Um espeto de pau na casa de ferreiro.

 

Era vítima de assédio moral – conclui hoje o que naquela época não tinha maturidade para perceber.

 

Se chorava, o som de suas lamúrias era reproduzido em imitação tosca e barata.

E quantas vezes chorou.

 

Todas em que só conseguia fazê-lo como forma de lidar com aquela opressão.

A lágrima era sua linguagem.

 

Mas utilizava-se também dos gritos. Foi com eles que aplacou a dor que sentiu quando foi atingida na palma da mão. Doeu tanto que desde aquele dia passou a desconfiar de muita coisa por aí.

 

O alimento que preparava com carinho e esperança de que fosse aceita e, dessa forma facilitasse uma certa aproximação, era rechaçado sem pudores.

 

O prato era atirado para longe.

 

Era comida para todo lado. Menos para o certo.

 

Sentia-se detestada.

 

Consternada, deixava-se esquecer – de si, da dor que sentia – e cantava.

 

Parecia trégua.

 

Vejam só. Que surpresa.

 

De lá, via que dançava ao som de sua voz.

 

Mas era só.

 

Passado o número musical as rusgas voltavam a acontecer, o atrito se instalava e parecia haver eletricidade os separando.

 

Até seus chinelos, em momento de descuido, foram feitos em picadinhos. Nem sabe como. 

 

Para exprimir sua incredulidade chegou a apelar para o uso de apelidos.

 

Daqueles que diminuíam, que humilhavam, que degradavam.

 

Hoje a atitude ganharia nome difícil, bullying.

 

Mas pelo menos o resultado era o esperado.

 

Conseguia mesmo diminuir, humilhar, degradar.

 

Era assim que se sentia.

 

Dando de ombros.

 

Satisfeita com os resultados.

 

Mas não era bem assim. Freud saberia disso.

 

O perdão se instalou compulsoriamente naquele dia em que sumiu.

 

Na verdade, naquela noite.

 

Abrira a gaiola.

 

Optou pela liberdade.

 

Voara.

 

Uma pena.

 

Que pena!

 

 

 

 

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