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RECEITA DE GOSTOSURA

23.05.2017

Chego em casa e vejo as duas na cozinha. Preparam bolo de chocolate.

 

Para a mais nova, mais do que comer a guloseima, valem o preparo e o lamber da colher e da bacia com a massa crua.

 

Foi sempre assim.

 

Para a mais velha, mais do que comer a guloseima, vale ser a condutora do processo que tanto ensina a uma criança.

 

Para mim, que sou agraciada com o cenário, mais do que comer a guloseima, vale saber que são parceiras. Que posso contar com a mais velha, minha amiga, para que cuide da mais nova, minha filha.

 

Foi sempre assim.

 

Conheceram-se ainda com uma na barriga.

 

Desde então, aprendem e crescem juntas. Já estiveram muitas outras vezes com a mão na massa – seja preparando comida, seja fazendo artesanato.

 

Seja colhendo folhas verdes ou plantando sementes.

 

Seja conversando e falando dos universos – tão diferentes e tão iguais.

 

Chego em casa e algum tempo depois, sinto cheiro de bolo.

 

Para mim, que fico nostálgica com o odor, mais do que comer a guloseima quase pronta, vale saber que fazer bolo une as pessoas e que, em torno de uma fatia, acompanhada por um café ou por um chá, as amizades se fortalecem e a intimidade sai favorecida.

 

Nada mais aconchegante do que partilhar de um bolo quente, recém-preparado, em um lanche de final de tarde.

 

Eu nunca aprendi a fazer bolos. Depois que a mais nova das duas, minha filha, nasceu, tive que fazer essas incursões na confeitaria a pedido dela e sempre cercada por muitas dicas e receitas, telefonemas urgentes para minha tia que tudo sabe sobre essa arte. O resultado, no entanto, nunca é satisfatório de todo.

 

Ainda bem que mais vale o processo do que o resultado.

 

O bolo cheira por aqui e me lembra a cozinha de minha mãe. Sempre cheia, sempre cheirando, sempre recebendo tanta gente.

 

Gosto de saber que logo aqui perto, na casa de uma pessoa querida, também há bolo no forno.  Também o ar recende a tudo o que um bolo evoca e proporciona – para além de seus ingredientes e da sua receita.

 

Fazer um bolo, sentir seu cheiro de comida e de vida, desperta um sentimento morno dentro da gente, do jeito que o bolo deve estar na hora de ser desenformado.

 

É morno, mas não por ser sem graça. É morno porque é quente e para não nos queimar, esperamos um pouco.

 

É morno porque é bom, porque preenche, porque reúne gente, porque nos liga à simplicidade que todos buscamos.

 

Ninguém suporta mais as dificuldades, as complexidades, as buscas cegas e desenfreadas que o mundo parece impor.

 

Ninguém suporta mais tantas receitas prontas para encontrar um ponto de equilíbrio, um sentido, uma razão para viver.

 

A gente que tem o bolo cheirando pela casa já sabe que isso é tudo o que pode se querer da vida.

 

Receita de satisfação, de sorriso fácil.

 

Receita de gostosura.

 

Como o bolo que cheira.

 

Aqui e lá.

 

 

 

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