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VOCÊ JÁ SE ACORDOU HOJE?

14.04.2017

Costumo acordar cedo.

 

Mais do que eu gostaria.

 

As pessoas se chateiam com isso.

 

Eu também.

 

Costumo reputar a culpa aos meus pais.

 

Nunca permitiram ver os filhos dormindo além das seis horas da manhã. Fosse dia santo ou de semana. Sábado ou domingo.

 

Batiam vorazes nas nossas portas dizendo que passarinho, que não devia nada a ninguém, já estava trabalhando.

 

Coisa forte essa de hábito.

 

Posso dormir alta madrugada. Posso nem dormir. Cedinho já estou de pé. Zanzando, como se diz nas minhas bandas.

 

Isso era um problema quando eu dormia na casa das minhas amigas. Logo cedo, eu estava de olhos abertos. Querendo conversar. Tentando acordá-las. E nada. Dava uma agonia danada essa solidão do amanhecer.

 

Embora me incomode acordar cedo, me incomoda quem acorda tarde.

 

Não gosto. Acho desnecessário. Quero implicar com as pessoas. Quero convencê-las de que é desnecessário dormir tanto. Quero lhes telefonar. Quero seus ouvidos emprestados. Quero vê-las de prontidão, como eu, logo que o dia se anuncia pronto para um recomeço.

 

Os mais próximos não aguentam essa minha característica.

 

Chamam-me de ninja. Dizem querer as dicas para se tornar assim. Mas não acredito nisso.

 

Precisam de horas e mais horas de sono. Acordam já no meio da tarde. Manhã alta.

 

Eu, por minha vez, queria experimentar isso, afinal. Confesso. Mas nunca consegui. Hoje posso dizer que se conseguisse, não poderia. Tenho uma filha que, tenras horas, tasca um grito que acorda até a Bela Adormecida. “MÃE!!!!!”

 

Reclamei. Como na infância, com as batidas na porta vindas das mãos dos meus pais, já abro os olhos sobressaltada. Coração batendo forte. Ninguém merece.

 

Expliquei que ficava assustada. Ela, gentilmente, buscou uma alternativa que, infelizmente, não foi não me acordar. Foi fazê-lo de forma mais sutil.

 

Entra no meu quarto, faz um carinhozinho leve no meu braço, sussurra uma canção e ainda pergunta: te assustei?

 

Como poderia? Acho a cena bonita. E, claro, eu já estava era desperta. Torcendo para meu corpo me dar o agrado de entregar-se ao sono.

 

Dia desses, ela levantou-se e disse: eu já estava acordada há muito tempo. Mas respeitei você.

 

Cena mais bonita ainda. Esse cuidado. E essa atenção aos meus pedidos.

 

No entanto, acho que tinha acordado naquele momento mesmo. Vinha cambaleante, olhinhos inchados.

 

Outra amiga sofre com isso meu, de madrugar. Não acredita que minha vida prescinda tanto do dormir. Tenta me convencer que tudo seria melhor se fosse diferente.

 

Pelo telefone me receita umas droguinhas possíveis. Infalíveis, segundo ela. Relaxante muscular era batata. Olhos cerrados por horas a fio. Mas eu tinha que ter cuidado. Precisava estar livre de obrigações. Porque não conseguiria voltar nem sob os safanões mais certeiros.

 

Nunca tentei. Sigo no dilema. Sigo ouvindo os primeiros pássaros começando a trabalhar. Sigo catando as cores primeiras do céu. Sigo acordada e acordando.


 

 


 

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© 2017 por Waleska Barbosa. Orgulhosamente criado com Wix.com por Mauro Siqueira.

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