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TRÊS ANOS NÃO SÃO TRÊS DIAS

10.04.2017

Quando parecia não haver mais esperança, eis que esbarrou em um folheto. Foi coisa mesmo de destino.

 

Não de coincidência – até ali fora levada a crer que não existia isso.

 

Mas no pedaço de papel  que se fixou em seu corpo, espantado pela rajada de vento, estava escrito:  “Trago seu amor de volta em três dias”.

 

Não acreditava também nisso. Por que esse número? Qual a razão dessa quantidade de dias – poucos, na verdade, para uma investida tão rigorosa?

 

Aquele amor, se é que era, se é que houvera sido, já havia partido há tanto tempo. Deixando até dúvida sobre sua existência.

 

Aquele amor deixara um sem-número de dores e vazios e raivas e vontades e desejos e calores e quenturas e líquidos e sequidão. Deixara ódio.  Deixara uma solidão sem precedentes e sem nome, porque aquilo era pior que solidão. Mas não conhecia o que podia ser.

 

Então, precisariam de três dias para trazer de volta o que levara um infinito sendo vivido e já há séculos partira?

 

Queria mesmo ver.

 

Pensou ter decorado o número. Repetido mentalmente tanto quanto possível, antes que amassasse o papel jornal, mais amarelado do que de costume e o jogasse na sarjeta.

 

Não merecia sequer uma lata de lixo. Foi para o chão.

 

Mas e o número? Seria capaz de reproduzi-lo?

 

Batucou o aparelho. Titubeou. Tentou de novo.

 

Inexistente.

 

Voltou ao lugar. Procurou algum indício do panfleto atirado na rua. Gostaria até de achar outro. Mas o tempo estava parado. As árvores não se mexiam. As saias não levantavam. Os papeis amassados não esbarravam nos corpos dos passantes.

 

Continuou andando a esmo. Testando o destino. Confrontando as coincidências.

 

Nada.

 

Aquele amor deixara um sem-número de dores e vazios e raivas e vontades e desejos e calores e quenturas e líquidos e sequidão. Deixara ódio.  Deixara uma solidão sem precedentes e sem nome, porque aquilo era pior que solidão. Mas não conhecia o que podia ser.

 

A indefinição lhe roubava toda a energia.

 

Sentia-se como um saco vazio. Não parava em pé. Não parava. Não se aquietava.

 

Foi quando em lugar oposto àquele quase bateu a cabeça.

 

Olhava para baixo quando foi surpreendida por uma coluna ou um poste que parecia ter surgido de repente.

 

Com o susto deu um impulso para trás.

 

Foi quando conseguiu ler, ajudada pelo distanciamento, em um cartaz desgastado:

 

Posso ser seu amor por três dias.

 

Logo abaixo, um número de telefone.

 

Intrigada e com um sorriso cúmplice no canto da boca, discou.

 

Dali mesmo. Para não cometer o mesmo erro. O do esquecimento.

 

Ao alô, seguiu-se um encontro marcado.

 

Estão juntos há três anos.



 

 




 

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