Please reload

PROCURE POR TAGS: 

05.08.2020

04.08.2020

11.07.2020

07.07.2020

Please reload

POSTS RECENTES: 

SIGA

  • Facebook Clean Grey
  • Twitter Clean Grey
  • Instagram Clean Grey

CANHOTA

06.04.2017

Hoje o lápis caiu da mão.

 

Não havia força para que eu o segurasse.

 

Estava no meio de uma pauta. Estava no meio de um evento.

 

Chorei.

 

Acho que precisava mesmo chorar.

 

E achei o gatilho.

 

A gota d’água.

 

As lágrimas aliviaram as dores outras todas que achavam aquele canal para transbordar.

 

Mas na mão o problema continuava.

 

A sensação foi estranha.

 

Em segundos eu me vi sem chão. Entrei em um vácuo. Sobrava pouco de mim.

 

Meus dedos não se moviam, não respondiam aos comandos, perdiam o sentido.

 

Minha força de trabalho, minhas habilidades, minha formação, giram em torno do escrever.

 

Giram em torno de uma caneta e/ou de um teclado. Giram em torno das minhas anotações.

 

O que seria de mim agora?

 

Sequei as lágrimas discretamente – e esperei.

 

Quando arrisquei de novo rabiscar algo, consegui.

 

Parecia um sonho ruim.

 

Um devaneio.

 

Uma alucinação.

 

Acontecera afinal?

 

Uma pessoa perguntou se eu estava com sono.

 

Não. É que eu chorei.

 

E pensei que podia ter calado sobre isso.

 

Mamãe sempre criticou minhas lágrimas. Pelo menos as fora de hora.

 

“Não puxou a mim”, retrucava.

 

Passou. Deixei para lá a demonstração de fragilidade. Perdoei-me. Ou não. Sei lá. Acho que ainda vou ficar pensando sobre isso. Mesmo fazendo de conta que não.

 

Mas esses sustos/tristezas quando vêm, ficam estampados na cara.

 

Indiscretos. Fanfarrões. Exibidos. Explícitos.

 

Não tenho como esconder isso. Nem motivos.

 

Sou o que tens diante dos olhos.

 

Voltei ao meu ambiente de trabalho.

 

Tinha minha matéria.

 

Minha tarefa do dia estava salva e resguardada.

 

Contei o que aconteceu a um amigo.

 

Ele não deu vasão a sentimentalismos. Prático que só, perguntou se eu não escrevia também com a mão esquerda.

 

Achava que eu devia imediatamente começar a aprender, a treinar.

 

Não tinha cabimento a gente ficar dependendo apenas de um lado do corpo.

 

“O cérebro da gente corrige as coisas. É só tentar”.

 

Aí, era a filosofia barata que me faltava para estender a frase a outros lados da vida toda, da alma.

 

Corrige, é? Hummm.

 

Então é muito teimoso. Burro. Torto. Lerdo. Lento. Atrasado.

 

Por via das dúvidas, peguei a caneta e comecei minha aula de canhota.

 

Gustave Courbet- Le Désespéré

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

© 2017 por Waleska Barbosa. Orgulhosamente criado com Wix.com por Mauro Siqueira.

  • b-facebook
  • Twitter Round
  • Instagram Black Round