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A LUTA MAIS VÃ

22.03.2017

Parece que atrás de uma publicação só não vai quem já morreu.

 

Eu mesma me refiro à escrita como um espaço de cura. E muita gente faz o mesmo.

 

Isso não é novo. Comunicar-se é necessidade precípua da humanidade.

 

Lembro agora dos diários que se tornaram famosos. Dos registros que escrevíamos na adolescência. Das cartas, de amor ou outros temas, que se tornaram célebres ou passaram a fazer parte da história. Dos bilhetes de suicídio.

 

Arrisco dizer que todo mundo que a usa a palavra como meio de vida ou, literalmente de sobrevivência, já fez algum tipo de tratado em busca de explicar seu mecanismo de atuação.

 

Sobre isso, gosto muito de O Lutador, de Drummond e uso alguns versos do poema com frequência: “Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco.”

 

Eu me sinto pouquíssimo em relação a elas. E não me refiro apenas à quantidade, mas à substância. Ao poder que delas emana.

 

Escrever para entender (se). Escrever para organizar (se). Escrever para planejar (se). Até os métodos mais modernos de (auto)gestão sugerem que tomar notas em blocos de papel ou advindos de aplicativos é imprescindível para uma empreitada de sucesso – pessoal ou profissional.

 

Um processo que leva a entendimentos e até a pequenos milagres internos.

 

Conheço uma pessoa que substituiu o castigo clássico que seria imputado ao filho por uma falta grave deste, pela escritura de um texto sobre a pendenga – uma briga na escola.

 

O pai podia – e pensou em fazê-lo – ter proibido o acesso aos eletrônicos por uma semana. Ou mais. Ou menos.

 

Era isso que o pequeno esperava e já bradava que não gostaria de ficar sem o vídeo game, o tablet, a televisão.

 

Pois não ficaria.

 

Para tanto, teria aquela tarde para pensar no ocorrido e escrever uma página sobre ele. Podia telefonar quando acabasse e, diante da leitura da obra, receberia a liberação desejada.

 

Eu nunca tinha visto um ‘castigo’ tão promissor e compassivo. Se tudo corresse como deveria, ao final da empreitada o garoto teria passado por um processo intenso de autoconhecimento. Uma revolução silenciosa, sem que percebesse.

 

Teria entendido suas emoções e talvez até descoberto uma forma de lidar com elas.

 

Era um castigo educativo – incentivo à leitura e à escrita. Mas uma forma de aproximação peremptória entre pai e filho. E entre o filho e suas profundezas.

 

Talvez a partir dali a criança passasse a lutar menos com os colegas.  E mais consigo. Mesmo que a partir das palavras.

 

Então, a luta não teria sido vã.

 

O menino, de pouco, se tornaria muitos.

 

Como as palavras.

 

E eu discordaria, finalmente, de Drummond.

 

 



 

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© 2017 por Waleska Barbosa. Orgulhosamente criado com Wix.com por Mauro Siqueira.

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