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INTERTEXTUALIDADE

26.02.2017

Meus amigos estão expandindo os negócios.

 

Para alugar duas salas vizinhas em um prédio na Comercial da Asa Norte, desalugaram a que já ocupavam e trocaram de lado.

 

Antes, estavam virados para a rua. Agora, olham para a Residencial.

 

Além do silêncio, a troca proporcionou uma vista totalmente nova e quase inacreditável. Dali se vê as copas de inúmeras árvores. Uma minifloresta. Lembrou-me o Rio de Janeiro. Mas é Brasília, cidade também de verdes generosos.

 

Da varanda avistei uns cachos de sementes ou flores que nunca tinha visto. Uma cor linda. Roxo. Uma atração a mais para deleite e entretenimento de aves diversas.

 

Só no dia em que fui conhecer o novo espaço vi, pelo menos, três pássaros até então inéditos aos meus olhos, se deliciando naqueles irreverentes buquês.

 

O silêncio diminui com aqueles frequentadores de asas. Mas bem melhor que escapamento, buzinas, gritos e conversas, é o gorjear dos pequenos – graciosos e coloridos. Felizes.

 

Perguntados, os meus amigos disseram se tratar de imbaúba.

 

Mas isso é madeira boa para mobiliário, não? Na verdade, confundi imbaúba com umburana e, descobri depois, ambas têm mais serventia para bichos e insetos do que numa marcenaria.

 

Também não lembrava de já ter visto algo parecido com tais espigas chamativas.

 

O assunto ficou restrito àquela dúvida inofensiva até eu me deparar com uma citação em crônica de Rubem Braga, datada de 1958.

 

“Geralmente se cria em casa é casal de tuim, especialmente para se apreciar o namorinho deles. Mas aquele tuim macho foi criado sozinho e, como se diz na roça, criado no dedo. Passava o dia solto, esvoaçando em volta da casa da fazenda, comendo sementinhas de imbaúba” (História triste de mim).

Aproveitei para pesquisar a carinha do tuim. É exatamente como ele descreve no mesmo texto.

 

“Você conhece, não? De todos esses periquitinhos que tem no Brasil, tuim é capaz de ser o menor. Tem bico redondo e rabo curto e é todo verde, mas o macho tem umas penas azuis para enfeitar”.

Desconfiei que o cronista tinha romanceado a presença do azul nas penas do macho e continuei pesquisando sobre o assunto.

 

“É o menor psitacídeo do Brasil. O macho é verde com uma grande área azul na asa e no baixo dorso. A fêmea é totalmente verde, ligeiramente mais pálida e mais amarelada nas partes ventrais. Bico cor de marfim com cinza na base da mandíbula superior. Íris marrom-escura e patas cinza. O peso máximo é aproximadamente 26 gramas. O seu tamanho máximo é doze centímetros. A expectativa média de vida é de 15 anos”.

 

Volto a Braga. E à Internet. Tuins, periquitinhos e imbaúbas.

 

Literatura e ciência entrelaçadas. Brincadeira gostosa de intertextualidade.

 

A pena do cronista em atuação irretocável.  A pena do tuim informando se é macho ou fêmea. E eu.

 

Apenas.

 

 

 

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