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O RÁDIO

16.02.2017

Por que as emissoras de rádio haviam mudado de programação, não sabia.

 

Não faziam duas semanas elas só exaltavam o amor, o encontro, a paixão.

 

As canções pareciam talhadas para descrever o que viviam.

 

Por isso mesmo eram as emissoras de rádio que embalavam seus momentos caseiros.

 

Fizessem o que fosse, sempre havia um pouco de atenção voltada àquelas ondas, decifrando aquelas letras e pensando o quão eram feitas para eles.

 

Por vezes paravam o que estavam fazendo e apontavam com o dedo: Ó.

 

Não precisavam mais explicações. Entendiam que o que dizia o cantor era o que sentiam um pelo outro. Era o que andavam vivendo.

 

Por vezes anotavam com papel e lápis, buscados com pressa, aquele trecho, aquele compositor, aquele intérprete. Iriam ouvir de novo, iriam buscar mais informações, outras versões.

Isso se desse tempo. Se lembrassem do apontamento. Porque a ele se sobrepunham outros e outros.

 

Noite alta, dançavam. Aquele ritmo era perfeito para se abraçarem longa e apertadamente, em passos acertados ou trôpegos. Pé sobre pé. Como tem de ser. Era uma entrega que julgavam única. Não podia haver no mundo quem soubesse envolver o outro assim.

 

Só tinha de ser com você....

 

Isso nem parecia ter ficado para trás e as emissoras de rádio haviam mudando de programação.

 

Eram as mesmas. Certeza. Mas o que tocavam tinha mudado de figura. Tudo estava distorcido.

 

Alto. Desafinando. Doía nos ouvidos. Doía na alma.

 

Agora, soavam desamor, paixão desfeita, saudade, traição. Desencontro. Desengano.

 

Não faziam duas semanas e esse repertório não existia. Parecia que toda separação havia sido banida da face da terra.

 

Agora, era o sentimento mais entoado.

 

Era só o que ouvia. Era só para o que tinha olhos.

 

As canções pareciam talhadas para descrever o que viviam.

 

Por isso mesmo, eram as emissoras de rádio que embalavam seus momentos caseiros.

 

Não podia aguentar.

 

Não podia comparar aquele antes com esse agora.

 

Não podia ser.

 

Desliga o aparelho.

 

Volta, vem viver novamente ao meu lado. Pois meu corpo está acostumado...

 

 

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© 2017 por Waleska Barbosa. Orgulhosamente criado com Wix.com por Mauro Siqueira.

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